segunda-feira, 9 de abril de 2018

Salgueiro e a Série C: o que esperar?

CONTEXTO PRÉ-SERIE C

O ano do Salgueiro já dava indícios que não seria dos mais fáceis. Após o que aconteceu na final do Campeonato Pernambucano de 2017, no jogo da volta, o clube perdeu uma grande fonte de renda. Isso porque Clebel Cordeiro, ex-presidente e atual prefeito da cidade de Salgueiro, ainda naquela fatídica noite, após o fim da partida,  anunciou a sua saída do futebol, alegando que não compactuava com o que havia acontecido naquele 28 de junho de 2017 (erro da arbitragem). Dali para frente, o Salgueiro teria de aprender a conviver com a falta de um aporte financeiro que era um pilar para o clube a tanto tempo.

No mesmo ano, o time conseguiu de forma surpreendente se manter na Série C do Brasileiro. Após um início terrível, o clube comandado por Evandro Guimarães se recuperou no fim, fazendo jogos memoráveis, como vencer o Remo em pleno Mangueirão, dentre outros.

O baque maior seria em 2018. O clube iniciou o ano perdendo importantes peças. Isso porque Evandro Guimarães, até então técnico, saiu rumo ao Fluminense de Feira, da Bahia, e chegando lá, conseguiu levar meio time do Salgueiro, os mais importantes da equipe. Ranieri, Daniel, Moreilândia, Rodolfo Potiguar, foram só alguns dos que deixaram o Tricolor do Sertão rumando ao Touro do Sertão Baiano.

Com o desmanche feito, era hora de arrumar os cacos e partir para novas contratações. Com poucos recursos, a direção teria de ser cirúrgica para montar um time ainda competitivo como o que havia perdido. E, para o que se imaginava, foi. Apesar de ter errado na escolha do treinador (Paulo Júnior, que já havia trabalhado no Salgueiro em 2010), o time trouxe peças que, dentro da realidade esperada, corresponderam.

Dos mais novos contratados, os que mais atuaram foram Juninho, Izaldo, Peu, Escuro, Fabiano Menezes, João Paulo, Willian e Neverton. Esses três últimos, os piores. Com esses nomes e com o que sobrou do time em 2018, o Salgueiro começou muito mal com Paulo Júnior, que caiu após uma sonora goleada por 5x0 para o Fluminense, pela Copa do Brasil, e viu Sérgio China assumir e organizar o time, conseguindo passar de fase no Pernambucano, eliminar o Vitória nas quartas e cair, de forma honrosa para o Náutico, na Arena Pernambuco, por 3x2, tendo ainda saído na frente do placar.

CONTRATAÇÕES

Após esse início de ano, a direção do Sagueiro junto com a equipe técnica observou as carências do time para o Campeonato Brasileiro e já começou a se movimentar para tentar saná-las. Trouxe o atacante Erikys Júnior (22), ex-Flamengo de Arcoverde, Boa Esporte e Sampaio Corrêa, o volante Michel (36), conhecido e ídolo da torcida do Ceará, um jogador muito rodado, que ainda tem passagens por Vitória-BA e Sport. O zagueiro Emerson (34), ex-Bragantino, CRB, ASA, Boa Esporte e que estava no Rio Preto, o goleiro César (24), que estava no Parnahyba e tinha trabalhado lá com Sérgio China, e o lateral direito Iury (25), que tem passagem no Goianésia-GO e estava no Uniclinic-CE.

Erikys Júnior, atacante
Michel, volante
Emerson, zagueiro
César, goleiro

Yuri, lateral direito

Com essas contratações, o Salgueiro preenche alguns espaços em setores que não tinha tantas opções ou até mesmo qualidade, como é o caso da lateral direita, que com Marcos Tamandaré lesionado vinha-se improvisando o volante Escuro. A 'volância' e a zaga ganham nomes importantes e experientes, com passagens em clubes de maior projeção e divisões maiores. 

Mas, o setor de mais baixo rendimento da equipe ainda não foi munido com peças que dariam maior tranquilidade. O ataque segue com apenas uma contratação, sendo Erikys Júnior, que é uma boa aposta da diretoria, mas que sozinho não resolverá a falta de gols da equipe. A boa notícia é que ainda devem chegar mais cinco ou seis peças para a Série C e é nelas que poderemos ou não projetar o time nesse brasileiro.

O Carcará conta ainda com a volta de uma importante peça, Elvis, que voltou a treinar com o grupo.

SÉRIE C

Sendo bem realista, com o time atual do Salgueiro resta brigar na parte de baixo da tabela. Pois com um time mais qualificado no ano passado passou muito sufoco. Porém, com a vinda de mais peças, como foi prometido, a equipe pode ganhar em qualidade, podendo assim almejar quem sabe, uma vaga nas quartas de finais.

O problema maior é que, no Grupo A existe equipes bem montadas, como ABC de Natal, Náutico, Botafogo-PB, Cuiabá, Remo, todas essas campeões estaduais. Ainda o Santa Cruz e Juazeirense, que vão brigar pelo acesso. Atlético-AC e Globo-RN, junto com o Salgueiro devem ficar na briga mais em baixo, no cenário de momento.

domingo, 8 de abril de 2018

G7 do Nordeste se articula para novo formato da Copa do Nordeste em 2019


Deficitária para os maiores clubes da região, a Copa do Nordeste pode ter o seu formato alterado em 2019. Isso porque os clubes que compõem o chamado G7 do Nordeste estão se articulando para montagem de um novo formato de competição. Inclusive já aconteceu uma reunião entre os presidentes destes clubes em Recife, e uma nova, desta vez em Salvador, está marcada.

O Sport foi o primeiro clube a tomar medidas em relação a competição regional, se retirando da disputa (em 2017 e 2018) após alegar que a competição não paga um valor interessante. Outros clubes agora podem estar indo no mesmo caminho do Leão da Ilha. Recentemente, o presidente do Vitória, assim como o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, falando ao Bate-Pronto Podcast (do Jornal Correio 24h), criticou a atual Copa do Nordeste: “Você só parte para a mudança depois de avaliar o que já existe. Fizemos uma pesquisa ampla, que nos levou à opinião de que o atual formato da competição não pode seguir. Ele é danoso para clubes como Vitória, Sport e Bahia”, resumiu.

O PROBLEMA CENTRAL

Como já dito, os clubes do G7 alegam que não estão satisfeitos com a cota de  participação na 'Lampions', que tem um total de R$ 30 milhões (incluindo passagens, arbitragem e hospedagem) dividido entre os clubes, podendo o campeão levar de R$ 3,2 milhões a R$ 3,5 milhões.

Com isso, os clubes querem ter mais renda no primeiro semestre e equiparar, por exemplo, com a cotas distribuídas nos estaduais Paulista e Carioca. O presidente do Náutico, Edno Melo, disse à Rádio JornalÉ injusto a Copa do Nordeste distribuir R$ 21 milhões, e o Campeonato Carioca, de bem menor expressão, R$ 120 milhões. Então tem alguma coisa errada”.

O dirigente do Vitória, ainda ao Bate-Pronto Podcast (do Jornal Correio 24h), falou da desigualdade citada por Edno Melo. “A Copa do Nordeste distribui R$ 22 milhões em cotas para os clubes. Se o Vitória for campeão, ele ganhará R$ 3,5 milhões. Ora, o Campeonato Carioca paga R$ 120 milhões aos clubes. O Gaúcho, R$ 80 milhões. Estou falando de campeonatos estaduais. Nós temos uma região, como o Nordeste. Não é possível que sejamos, a nível de mercado, 1/6 do que vale o Carioca. Tem algo de errado nisso, e que precisa ser contestado. É o que nós estamos fazendo”.


NOVO FORMATO PROPOSTO: CAMPEONATO DO NORDESTE

Para que se gere mais renda, é necessário que se aumente a atratividade do torneio, e é basicamente isso que querem fazer os clubes em 2019. Criar uma competição mais enxuta, com menos times (10) e mais jogos atrativos.

Os clubes participantes seriam o G7 (Sport, Santa Cruz, Náutico, Bahia, Vitória, Ceará e Fortaleza) e clubes que entrariam pelo Rankink da CBF, que hoje seriam Sampaio Corrêa, CRB e ABC de Natal.

A competição teria 2 grupos de 10 times, sendo assim uma espécie de Série A e B do Nordeste, mas apenas os times do Grupo A podendo ser campões. Clubes da Paraíba, Sergipe e Piauí, estariam momentaneamente excluídos da competição e obrigados a começar na Série B.

NOVA COTA

As novas cifras envolvendo a 'Lampions' de 2019 seriam triplicadas de acordo com os números apurados pelo Super Esportes PE, chegando num total de R$ 50 milhões. Esse valor deve subir para R$ 100 milhões em cinco anos, é o que projetam os clubes.

Cada clube receberia R$ 5 milhões pela participação, valor esse, maior que o que um clube recebe se for campeão no atual formato. Ainda de acordo com apuração do Super Esporte PE, a nova competição terá aporte financeiro do Grupo Globo.